8 de out. de 2012



O que quer uma mulher

Um bebê nasce. O médico anuncia: é uma menina! A mãe da criança,
então, se põe a sonhar com o dia em que a sua princesinha terá um
namorado de olhos verdes e casará com ele, vivendo feliz para sempre.
A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar corações.
Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome de
Walt Disney.
Até as mais modernas e cosmopolitas têm o sonho secreto de encontrar
um príncipe encantado. Como não existe um Antonio Banderas para todas,
nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de marketing,
engenheiros mecânicos. Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação não
anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos ajudam
com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior prazer
em nos levar para jantar. São príncipes à sua maneira, e nós,
cinderelas improvisadas, dizemos sim! sim! sim! diante do altar; mas,
lá no fundo, a carência existencial herdada no berço jamais será
preenchida.
Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o nosso
pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos que
ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o José
Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas novelas.
Queremos ouvir "eu te amo" só no último capítulo, de preferência num
saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir de
embarcar.
O amor na vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. "Eu te amo"
virou uma frase tão romântica quanto "me passa o açúcar". Entre
casais, é mais fácil ouvir eu "te amo" ao encerrar uma ligação
telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem se
xingado por meia-hora. "Você vai chegar tarde de novo? Tenha a santa
paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi a
mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou prepar o jantar para você
às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo." E batem o telefone
possessos.
Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas hollywoodianas.
Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase todos
abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje, andam
meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não são
heróicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso, e a
maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a escada
magirus alcançasse o nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já é
alguma coisa.
Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma
mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam
quarto em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens
aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados,
corajosos, batalhadores.
Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o
que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela janela,
suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é.
Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se sente
amada o suficiente.
Martha Medeiros

4 de out. de 2012

Dica de Leitura + Resenha

Um marco da literatura chilena, poderíamos estar falando de Pablo Neruda (ah, Neruda...), mas não, o assunto de hoje é um outro clássico, de Isabel Allende: A Casa dos Espíritos



Sinopse Bestseller internacional considerado pela crítica um clássico da literatura latino-americana, "A Casa dos Espíritos", romance transcendental de Isabel Allende, conta a saga da turbulenta e numerosa família Trueba, do Chile, com o seu patriarca angustiado e suas mulheres clarividentes. Trata-se de uma narrativa vertiginosa que se alimenta de si mesma e parece tender ao infinito. É no seu desfecho que se alcança o efeito trágico da obra cujo limite não é o esgotamento das narrativas, mas um golpe de Estado que metamorfoseia as narrativas em sangue nas sarjetas e as palavras em silêncio. Num panorama da história chilena que vai de 1905 a 1975, desfilam personagens como Esteban Trueba, latifundiário e senador; Clara, sua mulher clarividente e Alba, sua neta, jovem, socialista e, portanto adversária do patriarca e de seus cúmplices. 



Minha opinião: Contrariou todas as minhas expectativas. Confesso: quando peguei o livro em mãos, imaginei mais uma história de terror, uma casa má conservada e assombrações. Garanto desde já: não tem nada disso!  A Casa dos Espíritos provoca uma verdadeira enxurrada de emoções, a história da família Trueba passa a ser contada desde o princípio onde Esteban conhece a bela e mística Rosa e apaixona-se por seus cabelos verdes. A partir deste momento, uma sucessão de acontecimentos entrelaça-se de uma maneira singela, porém arrebatadora. A saga da família Trueba (que em alguns momentos lembrou-me nitidamente a história dos Blackwell, de O Reverso da Medalha, do eterno Sidney Sheldon) é marcada por tragédias e acontecimentos rotulados como incríveis. Utilizando sua riqueza conquistada arduamente em minas de ouro, Esteban volta a Las Tres Marías e recupera a fazenda de sua família, arruinada por seu pai décadas atrás. Casa-se com Clara, a irmã clarividente da falecida Rosa, e passa a amá-la, apesar dos seus breves casos extra-conjugais que nada afetavam a esposa, constantemente distraída com os espíritos que vagavam por sua casa e com os quais mantinha contato. E então vemos ao decorrer de diversas páginas, o entrelaçar de diversos personagens e o desdobramento da história.
A Casa dos Espíritos conta a vida, bela, errônea, injusta. Eis aqui um livro muito bem escrito (de alguma forma me fez recordar o estilo de Markus Zusak, de A Menina Que Roubava Livros), há todo um trabalho psicológico por trás de cada personagem e são esses detalhes, juntados ao fato de Isabel Allende retratar o golpe militar com um detalhamento que dá ao leitor a noção exata de toda a brutalidade dos fatos ocorridos,  que faz deste livro uma obra prima da literatura não só chilena, como latino-americana.


Mais informações: aqui.

1 de out. de 2012

Aperte o play!


Hoje, para quem não sabe, é o  dia Internacional da Música, então nada melhor do que um Aperte o play! caprichado, com as músicas que revolucionaram o mundo!



 Michael Jackson- Billie Jean.
Queen- We Will Rock You


 Survivor- Eye Of The Tiger

The Beatles - Help!

 Bittersweet Symphony- The Verve


 Nirvana- Smells Like Teen Spirit




Ricky Martin- Maria

E, desculpa galera, mas eu precisava incluí-lo aqui, haha. Então, conte para nós como você está curtindo o dia internacional da música. O que incluiria na lista? Qual canção não pode faltar na sua playlist?




26 de set. de 2012

Dica de Leitura + Resenha

Incrível é pouco para definir todas as emoções que O Caçador de Pipas é capaz de proporcionar. E não é à toa que faz parte do grupo seleto de favoritos da minha estante. Vamos à resenha?

Sinopse: 
 O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.




Minha opinião: 
 Há algum tempo atrás, uma pessoa indicou-me o livro A Cidade do Sol , garantindo que eu o adoraria. O que é bem verdade, mas, incrivelmente, O Caçador de Pipas conseguiu me encantar mais. Khaled Hosseini escreve como ninguém e possui uma capacidade ímpar de emocionar.  O Caçador de Pipas conta a amizade entre Amir e Hassan. Amir é um menino rico, porém sem caráter e Hassan, que apesar de todas as dificuldades, preso a sua condição de subordinação, tem uma inigualável coragem e lealdade. E este é o ponto principal do livro e o elo entre os dois personagens: a lealdade. Até onde você iria em nome de uma amizade? É aqui que se encaixa a frase que tornou-se célebre: " Por você, eu faria isso mil vezes", dita por Hassin. Com o passar das páginas, o leitor chega a odiar Amir, que humilha diversas vezes o seu amigo, e que faz questão de mostrar a sua posição social. Com o prosseguimento da leitura, vê-se um surpreendente desenrolar da trama, cheio de reviravoltas, dignas do bom livro que é.  Mais do que uma obra , O Caçador de Pipas é uma lição, daquelas que tardam a sair das nossas mentes. Um verdadeiro "tapa na cara" de quem se acomoda com romances clichês; Khaled Hosseini mostra o Afeganistão com o olhar de alguém que, mais do que descrever, viveu aquilo. Uma história sobre destino, arrependimentos, lealdade, amizade e perdão. Figura certa entre os meus livros favoritos, é daqueles que você precisa ler com um papel e uma caneta ao lado, porque, certamente, vai querer anotar algum trecho. Enfim, se tiver a oportunidade de lê-lo: não hesite. É com certeza um dos melhores romances da literatura atual.
“Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida, está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos o direito de ter um pai. Quando você mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando você trapaceia, está roubando o direito à justiça. Entende? Não há ato mais infame que roubar.”

Mais informações: aqui;

22 de set. de 2012

Que tal assistir?

Hoje lhes indico um drama, que tem como temática a Segunda Guerra Mundial: "O Menino do Pijama Listrado". Que tal assistir?
Alemanha, Segunda Guerra Mundial. O menino Bruno, de 8 anos, é filho de um oficial nazista que assume um cargo importante em um campo de concentração. Sem saber realmente o que seu pai faz, ele deixa Berlim e se muda com ele e a mãe para uma área isolada, onde não há muito o que fazer para uma criança com a idade dele. Os problemas começam quando ele decide explorar o local e acaba conhecendo Shmuel, um garoto de idade parecida, que vive usando um pijama listrado e está sempre do outro lado de uma cerca eletrificada. A amizade cresce entre os dois e Bruno passa, cada vez mais, a visitá-lo, tornando essa relação mais perigosa do que eles imaginam.