1 de mai de 2011

Coisinhas...

O PRINCÍPE E A PLEBEIA

Ah, mulheres, cheias de esperanças, que viram o príncipe William se casar com uma plebeia, conformem-se. Infelizmente isso só acontece com uma mulher no mundo a cada 30 anos. E na Inglaterra. O príncipe encantado nunca virá num cavalo branco por mais simpatias que se tente.Não adianta forcejar. Seu pé nunca irá entrar num sapatinho de cristal de número 34.
Sabe que é impossível, entretanto, lá dentro do seu intimo, ainda vive uma faísca, mas ela não chega a pegar fogo. Nem sai mais à noite, pois príncipes surgem sempre no esplendor de um sol matinal. À mulher de hoje, Cinderela do mundo real, resta assistir ao pomposo casamento do príncipe e da plebeia.’Isso sim que é um casamento real’, pensa ela, enquanto come um mirabel murcho. Ela não arruma um namorado há três anos e está decepcionada com o homem moderno e sua cultura do desapego. ‘ Homens são todos iguais’ é sua frase de MSN predileta.
E não foi por falta de esforço. A sua busca frenética rastreia pelos confins da vida noturna, passando pelos clubes, e terminando melancolicamente na missa de Santo Antônio. Nada de achar o príncipe encantado que, com certeza, também não deve estar na fila do supermercado. Finalmente, ela se convence que conto de fadas mesmo, só na TV e na Família Real da Inglaterra.
O seu último namorado em nada lembrava um príncipe em um cavalo branco, nem gentilezas, nem chás com xícaras de prata, e muito menos a tradicional pontualidade inglesa. Chegava 45 minutos atrasado num Voyage bege com uma morcilha embaixo do braço. ‘Apronta as trouxas que vamo acampar na Alcântara.'
Porém, em Bento Gonçalves, pelo poder aquisitivo, mulheres e homens podem encontrar bons partidos. Mas não um príncipe encantado.Aí é pedir demais. Poderá comer sushi, andar de BMW na Planalto e postar fotos no Facebook da sua viagem romântica a Buenos Aires. Mas nunca encontrará um homem perfeito.
O amor nasce das imperfeições, em aceitar os próprios erros e os  dos outros.A única certeza é que irá pegar vários sapinhos na boca até o fim desta jornada.

(Gustavo Bottega, Jornal Semanário-30/04/11)

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